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Pastoral da 2ª União

2ªUniaoQuem são os casais em segunda união?

O Diretório da Pastoral Familiar coloca sob esse conceito os casais casados na Igreja, divorciados civilmente e novamente unidos pelo matrimônio civil. Incluem-se nesse rol os casais em que apenas um dos cônjuges passou pela situação aqui descrita.

A Igreja quer oferecer a esses casais “uma palavra de verdade, de bondade, de compreensão, de esperança, de participação viva nas suas dificuldades às vezes dramáticas…” – lembra João Paulo II. [FC, 65.) O Papa continua mais adiante: “Reze por eles a Igreja, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança”. (Idem, 84.)

Pastoralmente, há que se considerar a diversidade de situações que levaram esses casais a desfazer o primeiro casamento. Deve-se discernir bem caso por caso. A Familiaris Consortio (n° 84) comenta que, entre as pessoas que se divorciaram e estão agora numa segunda união, podemos encontrar aquelas que “sinceramente se esforçaram para salvar o primeiro matrimônio e foram injustamente abandonadas”, o que difere substancialmente daqueles maridos ou esposas que “por sua grave culpa destruíram um matrimônio canonicamente válido”. Encontramos também aqueles que “contraíram uma segunda união em vista da educação dos filhos”, bem como aqueles que “estão subjetivamente certos em consciência de que o primeiro casamento, irreparávelmente destruído, nunca tinha sido válido”.

Semelhante é a recomendação do Diretório da Pastoral Familiar (394): “O cuidado pastoral precisa adequar-se a cada um desses casos, dando-lhes uma atenção peculiar e personalizada. Levem-se em conta, prudentemente, as diferentes circunstâncias.”

Não se considerem separados da Igreja

O Diretório da Pastoral Familiar (390) diz que: “A Igreja, que foi instituída para a salvação de todos, não pode abandonar aqueles que, unidos pelo vínculo matrimonial sacramental, contraíram no civil novas núpcias”.

Esta orientação encontra respaldo na Familiaris Consortio, de João Paulo II, quando (n° 84) exorta “vivamente os pastores e toda a comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, procurando com caridade solícita, que eles não se considerem separados da Igreja”. O Papa entende que, sendo batizados, devem participar da vida da Igreja: “Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia-a-dia, a graça de Deus.”

Canais de participação na vida da Igreja

Coerente com o incentivo de João Paulo II, o Diretório da Pastoral Familiar aponta para esses casais com várias possibilidades de participação, que aqui enumeramos: oração comunitária, cultivo da devoção à Eucaristia mediante a “comunhão espiritual” e visita ao Santíssimo Sacramento, participação na missa dominical, escuta e meditação da Palavra de Deus, exercícios de penitência, educação cristã dos filhos, prática da caridade. Cabe facilitar-lhes o acesso aos tribunais eclesiásticos para a eventual nulidade do matrimônio anterior, o que os habilitaria a contrair matrimônio sacramental.

Recomenda ainda a organização de “encontros e/ou retiros específicos” (Retiros do Bom Pastor, Encontros de Casais de 2a União e outros); busque-se, “com a necessária prudência pastoral, incorporá-los nos diferentes grupos de casais os que, por diferentes motivos, chegaram a formar uma segunda união”.

Os pastores (bispos, padres e outros agentes) são chamados, enquanto possível, a integrar esses casais nos trabalhos pastorais da comunidade, desde que não conflitem com sua situação de casais de segunda união.

Podem ou não comungar? Qual o princípio geral?

Como princípio geral, podemos tomar o que disse João Paulo II, na Exortação Apostólica Familiaris Consortio: “A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, de momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e realizada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem essas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erros e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio”. (FC, 84.)

Trata-se, pois, de uma situação extremamente delicada. Se não for bem compreendida, se não for tratada com respeito e acolhimento, poderá levar muitos desses casais a se sentirem discriminados e Igreja; 52% deles mudam de fé, buscando amparo em outras denominações religiosas. É preciso, pois, que nós, com o coração cheio de misericórdia e profundo amor à verdade, nos empenhemos para que os casais em segunda união não se considerem separados da Igreja.

Logo após acolher o princípio geral, emitido por João Paulo II, o Diretório da Pastoral Familiar (n° 393) lembra que “nem todos os divorciados que constituíram uma nova união estão incluídos na mesma situação pastoral”. O mesmo Diretório indica, a seguir (n° 394): “um cuidado pastoral precisa adequar-se a cada um desses casos, dando-lhes uma atenção peculiar e personalizada. Levem-se em conta, prudentemente, as diferentes circunstâncias”.

Muito oportuna é a observação que faz o Pe. Jesus Hortal, ao comentar o cânon 915 do Código de Direito Canônico: “Por outro lado, não se esqueça que o adultério e o concubinato não são os únicos pecados graves que se precisa abandonar para que alguém se a admitido à Eucaristia. A mesma coisa vale para a injustiça manifesta no trato dos operários, no arbítrio policial (torturas), no abuso do poder, etc.” (CDC, Ed. Loyola, 2000, p. 428.)

Podem, sim, estar em comunhão com Cristo.

Com o setor “Casos Especiais” da Pastoral Familiar, em ação em muitas dioceses e paróquias, são numerosos os casais em segunda união que têm encontrado “canais de participação na vida da Igreja”. Acolhida, apoio, orientação personalizada, encontros e retiros próprios ajudaram-nos a buscar a conversão e a reencontrar o caminho de uma espiritualidade adequada, além de um espaço na vida da comunidade.

Amados e acolhidos, perceberam que Deus é perdão e misericórdia e que comungar Jesus Cristo vai além do receber uma hóstia consagrada. Comungar é viver em comunhão de ideal com Ele, é partilhar a vida com o irmão, é trabalhar para que todos tenham vida, é empenhar-se na construção de uma sociedade mais justa para todos. Comungar Jesus Cristo é assumir pra valer os valores do Reino: vida, verdade, justiça, amor, paz, fraternidade, solidariedade, partilha, respeito à natureza, etc.

Os anos de caminhada na Pastoral Familiar nos propiciaram conhecer casais em segunda união que vivem santamente e são, hoje, apóstolos entusiastas de valores matrimoniais, tais como a indissolubilidade e a fidelidade. Foi vivendo já a segunda união que vários deles fizeram a experiência do encontro com Cristo, com a Igreja e com o verdadeiro valor do matrimônio. O Espírito Santo opera maravilhas também nesses corações.

Por paradoxal que pareça, há casos em que a vivência do amor na segunda união sinaliza mais o amor de Cristo pela Igreja (cf. Ef5,32) do que a experiência fracassada do primeiro casamento. Por outro lado, não são poucos os que afirmam que se tivessem, no primeiro casamento, o conhecimento do matrimônio e a experiência de fé que têm hoje, nunca teriam se divorciado; iriam empregar todo esforço para que seu casamento nunca fosse desfeito.

Pode haver uma bênção para a segunda união?

É uma pergunta que aparece com certa frequência. Ou seja, na impossibilidade de uma celebração do sacramento do matrimônio para o casal em segunda união, o padre não poderia substituí-la por uma cerimônia religiosa de bênção?

Vamos responder com o Diretório da Pastoral Familiar (399), que retoma o ensinamento de João Paulo II na Familiaris Consortio (84): “Evite-se toda cerimônia, bênção ou participação sacramental que possa ser interpretada como legitimação de uma segunda união. Uma tal prática induz a erros e enganos sobre a indissolubilidade do matrimônio validamente contraído, com consequente escândalo da comunidade. Todo pastor tenha claro que não está autorizado a efetuar esse tipo de cerimônias para os divorciados que voltam a se casar.”


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